Bom tempos aqueles da Bossa Nova, em que proliferavam os trios (piano, baixo e bateria) espalhando seu som maravilhoso. Tivemos muitos, como Milton Banana Trio, Bossa Jazz Trio e especialmente o
Z I M B O T R I O
Acho que o ZIMBO TRIO foi mesmo o mais importante de todos os trios que executaram a bossa nova. O som deles foi reconhecido internacionalmente. Certamente, foram um dos maiores divulgadores deste maravilhoso gênero que predominou no Brasil por vários anos. O Zimbo acompanhou os nossos melhores cantores daquela época de ouro.
O Zimbo Trio nasceu em 1964, na cidade de São Paulo, originalmente formado por Amilton Godói ao piano, Luis Chaves no contrabaixo e Rubinho Barsotti na bateria. Veio para tocar MPB, Jazz e Bossa Nova. O termo Zimbo, retirado do dicionário afro-brasileiro, significa boa sorte, felicidade e sucesso. Mas "zimbo" era também uma antiga moeda que circulava no Congo e em Angola. E no Brasil Colonial, o "zimbo" era uma das muitas moedas em circulação na colônia.

A estréia do Zimbo Trio aconteceu no dia 17 de março de 1964, na Boate Oásis, acompanhando a cantora Norma Bengell, num show produzido por Aloysio de Oliveira. Uma das canções mais aplaudidas foi "Consolação", música de Baden Powell na letra de Vinicius de Moraes: "Se não tivesse o amor / Se não tivesse essa dor / E se não tivesse o sofrer / E se não tivesse o chorar/ Melhor era tudo se acabar..." Era mesmo demais esta canção.
Em 1965, o Zimbo Trio passou a fazer acompanhamento fixo num dos melhores programas da televisão brasileira: "O Fino da Bossa", na Record, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. E vieram outros eventos importantes com a participação do Zimbo, como o show antológico no Teatro João Caetano, que reuniu Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e o conjunto Época de Ouro. Dois volumes foram gravados ao vivo deste show.
Além de tocar, o Zimbo Trio ainda deu uma outra grande contribuição à música brasileira. Em 1973, o trio juntamente com o baterista "Chumbinho" (João Rodrigues Ariza) fundaram em SP o Centro Livre de Aprendizagem Musical (CLAM), voltado para a formação ampla, sem separação entre o erudito e o popular. Esta escola formou gerações de músicos no País.
O Zimbo Trio começou a sofrer modificações na sua formação a partir de 2007, quando faleceu o contrabaixista Luis Chaves. Entrou Itamar Collaço, que introduziu no trio o baixo elétrico. A última formação atual foi com Amilton Godói no piano, Mario Andreotti no contrabaixo e Pércio Sápia, que ficou se revezando com Rubinho Barsotti na bateria. E José Carlos Prandini foi outro músico que também integrou o grupo até recentemente.
Sozinho ou acompanhando os maiores cantores brasileiros de todas estas décadas, o Zimbo Trio já gravou 51 discos e conquistou o reconhecimento mundial, excursionando pelos cinco continentes para divulgar a música instrumental do Brasil.
Mas, como tudo tem seu fim, o Zimbo Trio já não existe como tal. Divergências, problemas de doenças e outras dificuldades provocaram uma mudança: hoje se chama de Amilton Godoy Trio, com o pianista (foto abaixo) no comando.
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