T A I G U A R A
Na verdade, TAIGUARA nasceu no Uruguai, durante uma temporada que seu pai - o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva - realizava pelo vizinho país, em 1945. Quando seu pai parou de viajar, em 1949, a família mudou-se para o Rio de Janeiro. E posteriormente, em 1960, para São Paulo, quando Taiguara tinha 15 anos.
Além de cantar, Taiguara tocava piano, violão, mellotron (uma espécie de teclado inglês) e inúmeros instrumentos de origem africana. Ele tornou-se um cantor, compositor e instrumentista ligado a Bossa Nova, ao Samba e a MPB. Um artista praticamente completo.
Escolhi para o vídeo de apresentação de Taiguara, uma linda canção composta pelo saudoso Sérgio Bitencourt: "MODINHA", que foi um dos seus maiores sucessos. Observem a maneira sensível e apaixonada como nosso astro tocava e cantava os versos maravilhosos de uma das melhores músicas da época. Sérgio Bitencourt, que era filho do famoso Jacob do Bandolim, estava muito inspirado no dia em que escreveu "Modinha". Vários outros cantores gravaram a canção, mas nenhum deles com a força e o talento de Taiguara.
Foi significativo o sucesso alcançado por Taiguara nas décadas de 60 e 70, época em que ele participou de vários festivais, sempre com destaque. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Seus dois primeiros LPs foram gravados na Philips, pelo produtor Armando Pittigliani.
Entre os grandes sucessos de Taiguara destaco Universo do teu corpo, Hoje, Piano e Viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70, Que as Crianças Cantem Livres e a maravilhosa canção Universo do Teu Corpo.
Mas, vivendo naquele clima de resistência à Ditadura, Taiguara escreveu algumas canções duras contra a revolução, acabando por ficar marcado pelos militares. Passou a ser sistematicamente censurado. Nada menos do que 68 canções suas foram barradas, o que levou Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra, em meados de 1973.
Em Londres, estudou no Guidhall School of Music and Drama, e gravou a canção "Let the Children Hear the Music", que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.
Na volta ao Brasil, em 1975,Taiguara gravou o disco "Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara" juntamente com grandes músicos e uma orquestra sinfônica de 80 músicos. Era um tributo aos indígenas. Mas 72 horas antes do lançamento, todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar, que cancelou o espetáculo de lançamento. E lá se foi Taiguara, deixando o País de novo, desta vez para a Afríca e depois Europa.

TAIGUARA morreu em 1996, de falência múltipla de órgãos, em decorrência de um câncer na bexiga. Tinha então 50 anos.
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